O que a Copa da Rússia nos ensinou para nossa carreira corporativa.

Acabou mais uma Copa do Mundo. E esta veio com um número grande de novidades. Será que estas novidades merecem ficar reclusas só no âmbito do esporte? Ou podemos aplicar seus ensinamentos na nossa carreira corporativa?

1. VAR

Vivemos hoje no tempo do VAR. Independente de criticarmos o mau uso do árbitro de vídeo ou qualquer outra teoria da conspiração a respeito da aplicação do recurso, hoje o importante é que todo mundo vê o que fazemos. Sejam as coisas boas e/ou ruins.

Se antes o reflexo do brasileiro era usar a malandragem, o ‘jeitinho’, para passar por cima de algo, negligenciar outro, dissimular por aqui, fazer vista grossa por ali, hoje percebemos que tal prática está mais que superada. A ‘malandragem’ e o ‘jeitinho’ estão acabando!

Se em algum momento alguém achava o máximo aquele cara que enganava, que ludibriava, e mesmo o profissional que usava ‘atalhos’, nos dias atuais não há mais espaço para esse tipo de atitude. A mentira nunca teve pernas tão curtas. Até mesmo os mais talentosos que usam esse tipo de recurso acabam sendo fortemente rechaçados e destacados pelo seu ponto mais negativo, acabando por ter seu real valor diminuído. Provavelmente, Neymar nunca irá perceber isso, mas seu “staff” já entendeu e logo irá tomar providências.

2. Motivação e o Encantador de Serpentes

Vi uma propaganda da Nike que mostrava uma criança usando o discurso do técnico de futebol motivador. O menino usava as famosas frases feitas e as tradicionais provocações para as pessoas encontrarem forças que elas supostamente já teriam e que estariam escondidas dentro delas mesmas. “Somos os melhores! Quando a gente resolve mostrar o que somos, não tem pra ninguém!” Só que a frase que melhor cabe aqui é: “Viemos para fazer o melhor e acabamos fazendo o de sempre…”

De onde vem a certeza de que somos insuperáveis? O que fizemos para merecer isso? Ora, assistimos muitas novelas, muito Netflix. Ouvimos toneladas de músicas ruins. Temos preguiça para ler qualquer texto com mais de um parágrafo! Será que é o suficiente?

Fazer com que o profissional se supere é uma arte, mas dar a ele ferramentas, informações e condições para isso é bem melhor. As pessoas parecem que adoram ser motivadas, pois entram em um “encanto de merecimento” de algo que é completamente discutível e subjetivo. E ainda correm o risco de fechar os olhos para o motivo real de não estarem exatamente onde gostariam de estar.

Um discurso bonito é muito legal, mas não se sustenta por muito tempo. É apenas uma embalagem, uma carta de vendas, uma ótima apresentação de um produto. É óbvio que este produto deve ser bom, deve funcionar. Quando o produto não funciona, a embalagem já foi jogada fora há muito tempo. Não sobra nada.

3. Time x Salvador da Pátria

Existem os gênios, os que fazem a diferença, mas esses profissionais são tão completos que resolvem tudo sozinhos? Messi e Cristiano Ronaldo têm certeza que não.

Poderia inclinar este texto para a mania dos povos latinos de sempre esperarem por uma atitude paternalista daqueles que o representam, se transformando em vítimas perfeitas de governos totalitários e ditatoriais. Vemos isso dos mais restritos aos mais abrangentes nichos, grupos, castas, empresas, comunidades, estados, países etc, mas vamos parar tal ideia por aqui e focar naquilo que resolve.

O que resolve é foco, disciplina, trabalho, blá, blá, blá etc. O que todo mundo já sabe, mas tem preguiça de fazer. Aplicar tudo isso em um processo, uma estratégia e sua implementação. Manter a equipe funcionando, cada parte de uma engrenagem de um motor que tem que se mostrar eficaz em cada uma de suas peças e eficiente em seu conjunto e sua operação. A importância e a responsabilidade de cada um deve ser tão valorizada quanto os objetivos e os resultados do grupo, pois um não acontece sem o outro.

4. Diversidade e a Missigenação.

Cerca de 80% dos jogadores franceses são descendentes de imigrantes. Países constituídos dessa forma sempre usaram isso a seu favor. Diferentes culturas, diferentes técnicas e diferentes “skills”. A união desses fatores é o ingrediente que, implementado e gerenciado da maneira correta, costuma levar ao sucesso.

Lembro de minhas primeiras aulas de Marketing, nas quais o professor nos alertava a respeito do “Complexo do Pato”. Um dos únicos bichos que sabia correr, voar e nadar, mas que fazia tudo isso de maneira bem ruim! Agora, quem não gostaria, dentro dessas circunstâncias, de ter na sua equipe um golfinho, uma águia e um guepardo? Independente de onde vieram, eles tem um ponto em comum: são bons naquilo que fazem! Para estar na minha equipe não precisa ser branco, preto, brasileiro, croata, cubano etc… Precisa ser apenas bom!

By |2018-07-31T19:39:02+00:00julho 16th, 2018|Blog, Marketing, Planejamento|0 Comments

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